terça-feira, 7 de julho de 2009

Valente não descarta possíveis novas falhas no sistema do Speedy

Seg, 06 Jul - 18h52

O presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, não descarta a possibilidade de ocorrerem novas falhas no sistema de banda larga Speedy enquanto estiverem sendo implantadas as medidas de melhoria da rede que constam do plano de emergência apresentado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A proibição às vendas do Speedy, imposta pela Anatel e em vigor desde o dia 21 de junho, foi considerada muito rígida pelo presidente da Telefônica, que aponta o cliente como o maior prejudicado.

Valente prestará explicações, amanhã, aos deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara sobre as panes do Speedy e as medidas que estão sendo adotadas pela empresa. O plano emergencial da Telefônica será cumprido em três etapas, em 30, 90 e 180 dias, para quando Valente prevê que a companhia terá a melhor rede da América Latina.

Em entrevista à Agência Estado, o presidente da Telefônica disse que explicará aos deputados que as redes de banda larga têm exigido intervenções diárias para atender ao crescimento da demanda por mais capacidade e velocidade de conexão.

Essas intervenções, que se seguirão com mais intensidade nos próximos seis meses, para a implantação do plano de emergência, torna a rede mais exposta a problemas físicos e inclusive a ataques externos, como de hackers. "Nestes primeiros 90 dias, principalmente, a probabilidade de ter problema não é pequena", admitiu.

A empresa promete investir nos chamados DNS, que são equipamentos responsáveis por identificar o site que o usuário quer acessar e então encaminhar a conexão. Os DNS, segundo Valente, sofrem muitos ataques externos. "Vamos provar por fatos e dados que o cliente vai ter um serviço satisfatório", disse Valente sobre sua apresentação na Câmara. Enquanto isso, a Telefônica aguarda uma decisão da Anatel de suspender, pelo menos parcialmente, a proibição.

Nos últimos 12 meses, o Speedy passou por quatro panes, a primeira delas e a mais séria, em julho do ano passado, deixou milhares de clientes sem conexão à internet. A falha deixou fora do ar inclusive serviços públicos como os do Detran de São Paulo e o Poupatempo.

Já os problemas de velocidade de conexão, apontados na maioria das queixas dos clientes da Telefônica à Anatel, estão relacionados, segundo Valente, ao limite de capacidade das redes que estão disponíveis para as concessionárias de telefonia fixa.

A solução para parte deste problema, segundo ele, poderia vir com a mudança na legislação, para permitir que a Telefônica possa atuar também no setor de TV a cabo em São Paulo e assim usar a rede de cabo para prestar banda larga. Também é apontada como alternativa a liberação de novas licenças como as que utilizam a tecnologia Wimax de banda larga sem fio. A primeira medida depende da aprovação de um projeto de lei na Câmara e a segunda de decisão da Anatel.

As limitações da rede ficaram mais evidentes, segundo Valente, com o aumento do uso da internet para aplicações mais pesadas, como baixar filmes e vídeos, e o incremento dos acessos às redes de relacionamentos.

Neste sentido, segundo Valente, a questão não se resume a investimentos e sim a uma limitação legal. Ele reafirmou que a Telefônica investiu na expansão da rede de banda larga R$ 500 milhões, em 2008, e para este ano estão previstos R$ 750 milhões.

Como ex-conselheiro da Anatel, Valente evitou fazer críticas à agência reguladora. Ele disse, no entanto, que os usuários não devem ser prejudicados pelas punições às empresas. A proibição à venda do Speedy paralisou os planos de expansão da Telefônica para outras cidades paulistas que não dispõem de nenhum serviço de banda larga.

Valente disse que a melhor saída seria "administrar o problema", mas manter a oferta dos serviços. Ele fez uma analogia com um avião que em pleno voo perde uma das turbinas, afirmando que o piloto tem que tentar manter a aeronave no ar com os outros equipamentos de que dispõe. "A primeira coisa é assumir publicamente o erro e depois atuar pragmaticamente em um plano de melhoria do atendimento e aumento da robustez da rede", afirmou.

A ideia de alguns conselheiros da Anatel de transformar a banda larga em um serviço público, com mais exigências regulatórias e metas de qualidade, é contestada por Valente. "O mundo da inovação tecnológica convive mal com a rigidez", afirmou.

Fonte: Agência Estado


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